Parceria entre indústria e BID desenvolverá arranjos produtivos 01/07/2008
Representantes do Sistema Indústria, que reúne a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o Serviço Social da Indústria (SESI), e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), participam nesta semana de debates sobre o desenvolvimento de arranjos produtivos locais (APLs). A iniciativa integra o Programa de Desenvolvimento Territorial, realizado pelo Sistema Indústria em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O projeto prevê investimentos em micros e pequenas empresas localizadas em APLs. Os APLs são aglomerações de empresas que atuam na mesmo setor em uma mesma região geográfica, cooperando e competindo entre si. O evento começou nesta segunda-feira, 30 de junho, e termina amanhã, em Brasília.
A intenção é investir ao longo de quatro anos US$ 6,6 milhões em ações voltadas ao desenvolvimento de APLs em quatro estados. Serão trabalhados os setores de marmoraria e granito, no Espírito Santo, madeira de móveis, no Acre, a cadeia automotiva, em Goiás, e o complexo empresarial em torno do Porto de Suape, em Pernambuco. O objetivo é garantir a aceleração e diversificação do processo produtivo nas regiões. O IEL vai desenvolver estudos e diagnósticos para identificar as demandas industriais e oferecer serviços de capacitação de empresários e consultoria em gestão empresarial e gestão da inovação.
O SENAI será responsável pela capacitação da mão-de-obra e prestação de serviços de inovação tecnológica. Já o SESI realizará ações de inovação em tecnológicas sociais, de capacitação para ações em saúde e qualidade no trabalho. As federações de indústria promoverão ações de desenvolvimento associativo e coordenarão a governança no interior do programa.
De acordo o gerente-executivo de Cooperação Internacional da CNI, Renato Caporali, mesmo voltado para os pequenos empreendimentos, o programa beneficiará indústrias de médio e grande portes. "A iniciativa é voltada para micros e pequenas indústrias porque o BID trabalha nesse programa com recursos não-reembolsáveis. Médias e grandes empresas poderão ser beneficiadas indiretamente por meio da qualificação de seus fornecedores", destacou.
Para o superintendente do IEL, Carlos Cavalcante, que participou da abertura do evento, além de uma atuação conjunta e integrada das instituições do Sistema Indústria a partir das demandas empresariais, o programa também é uma atualização de metodologia de trabalho com APLs. "É uma reflexão dos trabalhos realizados até hoje e das experiências e conhecimentos assimilados por outros países latino-americanos", afirmou.
O representante do BID no Brasil Ismael Gilio afirmou que a CNI é um dos maiores parceiros do banco. Para ele, o programa ampliará o número de pessoas beneficiadas pelas políticas de desenvolvimento do país, que unem os setores público e privado. "A nossa proposição é dar um salto qualitativo, passando do APL local para o desenvolvimento territorial, o que nos permitiria alcançar razoável escala."
A diretora da OIT no Brasil, Lais Abramo, explicou que a OIT trabalhará com a questão do emprego e do trabalho. "Se estamos falando em geração de emprego, não basta ser qualquer tipo de emprego. É preciso gerarmos empregos com condições mínimas de qualidade, capaz de garantir uma vida digna para as pessoas. Isso envolve desde uma remuneração adequada até proteção social e reconhecimento dos direitos dos trabalhadores", ressaltou Lais.
Na avaliação do diretor de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), João Carlos Ferraz, o programa tem importância porque promove o desenvolvimento local e regional, já com uma noção de parceria muito forte. "Esse projeto servirá de exemplo para outras iniciativas que serão desenvolvidas no país. O BNDES pede bons projetos para apoiar. Esse programa é uma das prioridades da instituição", ressaltou.
Para o representante do Ministério da Ciência e Inovação da Espanha, Francisco Albuquerque, o programa é positivo porque permite que as entidades de desenvolvimento empresarial tenham papel de destaque no desenvolvimento de territórios. "As empresas avançam e ensinam a outros territórios no país a promover o desenvolvimento."
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