Brasileiros buscam negócios em feira ambiental na França - 01/12/2006
Lyon (França) - Definitivamente, tamanho não é documento. Quem vê de perto custa a acreditar que as pedrinhas exibidas em um frasco plástico no Salão Pollutec tenham o poder de limpar águas contaminadas por vazamentos de petróleo. Produto ainda inédito no mundo, o Oil Sorb foi desenvolvido pela empresa mineira Hydroclean. Os grãos de origem mineral, que renderam ao criador o prêmio de melhor invento brasileiro em 1991, podem ser usados para resolver problemas de contaminação por óleos na indústria e em casa.
O inventor do produto é o empresário Jader Martins, presidente da Hydroclean, uma empresa de pequeno porte, que emprega sete pessoas e fatura R$ 600 mil ao ano. Segundo ele, o Oil Sorb também pode ser uma alternativa para diminuir a poluição dos lençóis freáticos por óleos vegetais que as pessoas costumam despejar no ralo da pia. Um litro de óleo contamina o equivalente a um milhão de litros de água.
Mas a aplicação do Oil Sorb para uso doméstico por enquanto é apenas uma idéia. Martins está negociando o desenvolvimento do projeto com indústrias de produtos de limpeza brasileiras e busca parceiros europeus na Pollutec, a maior feira de tecnologias limpas e energias renováveis da França. O empresário é um dos integrantes da missão empresarial brasileira organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e federações de indústrias.
A partir dos contatos feitos na Rodada de Negócios Ecoetap América Latina e Europa, Martins espera levar o produto ao mercado europeu. "Poucas empresas hoje não têm problema com contaminação da água por óleos ou vazamento", diz Martins. A boa notícia sobre os resíduos da aplicação do Oil Sorb em casa é que estes pode podem ser simplesmente despejados em vasos de planta ou no jardim de casa. "Essa é uma das características deste produto de origem mineral: ele melhora a estrutura do solo."
No caso dos resíduos restantes da descontaminação por óleos que não sejam vegetais, a reciclagem é um pouco mais complicada. Mas pode ser lucrativa. Os grãos são ideais para a fabricação de cimento. "O cimento é feito de calcário, argila e combustível. Aqui temos o equivalente à argila e ao combustível, que é a parte mais cara do cimento", explica Martins.
Um dos maiores fabricantes de cimento do Brasil já trabalha com os resíduos do Oil Sorb, mas cobra para recebê-los. Ganha cerca de R$ 200 por tonelada e ainda faz uma grande economia na produção. Cada quilo de Oil Sorb pode absorver o equivalente a seis quilos de óleo. De fácil manuseio, o produto não é tóxico e não tem prazo de validade. Pode permanecer armazenado nas empresas, nos portos ou em casa para o caso de necessidade.
A ação conjunta da CNI e do IEL na Pollutec tem por objetivo gerar projetos bilaterais e multilaterais de promoção da competitividade da indústria brasileira e do desenvolvimento técnico e tecnológico de suas instituições. Além disso, busca, por meio de visitas técnicas e rodadas de negócios, oportunidades de cooperação entre Brasil e Europa no que diz respeito a parcerias público-privadas, consórcios municipais e políticas de saneamento ambiental. |