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  Produção mais limpa interessa indústria brasileira, dizem especialistas - 01/12/2006

Lyon (França) - Os setores de couros e de calçados oferecem as melhores oportunidades de negócios na área de gestão e resíduos sólidos no Rio Grande do Sul. A afirmação foi feita hoje por Maria Coelho Silva, do Programa Nacional para o Meio Ambiente. Segundo ela, outros setores com bom  potencial para projetos ambientais são os de metal, mecânica, metalurgia e química.

"Juntos, esses setores são responsáveis por 92% dos resíduos sólidos do estado", disse a técnica, durante a conferência Tratamento de Resíduos Industriais no Estado do Rio Grande do Sul, realizada na manhã de hoje no Salão Pollutec, a maior feira de tecnologias limpas e energias renováveis da França.

Com base em dados no último relatório da Federação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul, o setor de couros e calçados é responsável por 62% dos resíduos não-perigosos do estado. Maria lembrou que os dados do relatório referem-se a um levantamento feito entre  2002 e 2004. Um novo documento da Fepam deve sair nos próximos meses.

O diretor presidente da Associação das Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), Diógenes Del Bel, disse hoje que o potencial de mercado para tecnologias de preservação ambiental é do tamanho da indústria brasileira. Segundo ele, existem hoje no Brasil 111 empresas especializadas no tratamento de resíduos. "Essas companhias são uma solução para a indústria que precisa dar um destino aos resíduos", afirmou Del Bel. O levantamento da Abetre mostra que as 111 empresas do setor no país faturam 500 milhões de euros por ano (cerca de R$ 1,5 bilhão), têm 15 mil clientes e empregam 14,4 mil funcionários.

O secretário-executivo da Comissão Interministerial do Brasil sobre mudanças climáticas, José Domingos Gonzalez Miguez, disse que o país saiu na frente no processo de projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo. Em palestra a um grupo de empresários estrangeiros e brasileiros na Pollutec, ele informou que o Brasil e o segundo país em número de projetos de mecanismos limpos e o terceiro em redução de emissão de gás carbônico.

Atualmente, há 197 projetos registrados no Brasil. Desses, 76 foram registrados na Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Miguez, 65% dos projetos brasileiros são desenvolvidos exclusivamente com recursos de empresas nacionais. A Holanda e o Reino Unido são os países que mais investem nos programas brasileiros neste momento. "Saímos na frente porque o governo brasileiro tentou manter o quadro institucional acompanhando a regulamentação do Protocolo de Kioto. Mas há também o interesse econômico pelas receitas com as vendas dos créditos de carbono", disse Miguez.

 
 
 

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