País deve preparar profissionais para futuro incerto, alerta filósofo - 06/11/2007
O Brasil precisa formar profissionais preparados para um futuro de promessas e incertezas, de muitas mudanças, em que empregos e profissões somem de uma hora para outra. O alerta é do filósofo Renato Janine Ribeiro, professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo e diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Ele ministrou no dia 06 de novembro a palestra magna, que encerrou o seminário A Indústria Brasileira Investindo no Seu Futuro, promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), em Brasília.
De acordo com Ribeiro, mais importante que formar pessoas para exercerem uma única profissão, é preparar profissionais com vasto conhecimento, preparados para um futuro de contrastes. “As pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão ou mudar a forma de ver a sua profissão”, disse. “A atual formação dada pelas universidades é pouco útil e, embora haja mais de 40 profissões reguladas por lei, não consigo ver a obrigatoriedade do diploma universitário em formações como o jornalismo, por exemplo”, destacou. “Com alguns meses de experiência em uma redação, qualquer pessoa pode se tornar um jornalista.”
O lazer, segundo o filósofo, exerce papel fundamental na formação dos profissionais. “Se quisermos inovar em nossas áreas, precisamos conhecer e vivenciar outras coisas”, disse. Para exemplificar, ele lembrou que há alguns anos leu uma notícia que dizia que Frederico Fellini não via muitos filmes, mas lia muito. “Por meio da leitura, ele via as imagens de filmes. Hoje, os cineastas vêem muitos filmes e isso faz com que eles incorram em muitas imitações”, complementou.
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