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 Convenção do IEL debate inovação na indústria - 10/04/2008

“Não copie, crie”, foi a sugestão do vice-presidente do Conselho de Administração da Marcopolo, José Martins, para os profissionais do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), reunidos de 7 a 9 de abril, em Brasília. A primeira Convenção do IEL de 2008 teve como tema a questão da inovação, e Martins, considerado um dos “cérebros” por trás do crescimento das exportações de ônibus brasileiros para todo mundo, fez uma apresentação sobre como as empresas devem inserir a criatividade em suas atividades. “Inovação não é mais teoria, mas uma estratégia respeitada pela concorrência e clientela”, frisou o executivo da Marcopolo.  

O dono da Porto Marinho, Cláudio Marinho, e o diretor-presidente da indústria de componentes plásticos Masa, Ulisses Tapajós, também participaram do evento. Em palestras, esses renomados executivos falaram aos 60 participantes do encontro sobre outras vertentes da inovação.

Ao debater a inovação com seus dirigentes regionais, o IEL pretende tornar mais abrangente o conceito em suas ações. Segundo o superintendente da instituição, Carlos Cavalcante, muitas empresas praticam a inovação sem saber que a fazem. “A idéia que se tem da inovação é muitas vezes restrita ao desenvolvimento de tecnologia, mas há pequenas e médias empresas que estão inovando seus processos e influenciam as estatísticas econômicas”, argumentou. 

Em sua apresentação, intitulada Inovação, o Caminho para o Crescimento, Martins usou o exemplo de diversas empresas mundialmente conhecidas para demonstrar que a razão do sucesso das vendas estava em inovações radicais, mesmo que muitas vezes simples. O Starbucks, por exemplo, se tornou a maior rede de cafeterias no mundo vendendo produtos caros e mais elaborados para contrastar “com o insosso café norte-americano”, brincou o empresário. “Cortes de custo destroem o caminho da empresa. As companhias enfrentam bem a recessão quando introduzem a inovação radical na estrutura de custos tradicional”, defendeu.

A idéia central da convenção foi aprimorar uma estratégia para que a gestão da inovação esteja presente nos programas do IEL. De acordo com Cavalcante, a instituição começa a construir um portfólio de ações para capacitar os empresários. Estão previstos cursos de gestão da inovação, ao mesmo tempo em que iniciativas bem sucedidas serão fortalecidas, entre elas as Redes de Tecnologia (Retec) que já existem em dez estados e propiciam o compartilhamento de informações entre empresas de todos os portes. “Uma questão importante é como a inovação influencia na estrutura das empresas, seja na área financeira ou de produção. Da mesma forma que a qualidade foi o tema dos anos 80, a inovação é o fator de mudança do momento”, analisa o superintendente do IEL. 

Livro – A Convenção do IEL também marcou o lançamento do livro A Gestão Integrada da Inovação, produzido pelo núcleo de Santa Catarina. De acordo com superintendente do IEL/SC, Natalino Uggioni, Santa Catarina foi o estado que mais obteve recursos públicos para inovação em 2006, R$ 134 milhões. Entre as empresas, seis trabalham em parceria com o IEL/SC, que ajudou a captar e gerir R$ 24 milhões obtidos em todas as linhas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

“Temos um grupo de empresas que contaminado com o vírus da inovação, e vejo que no IEL/SC, temos condições de espalhá-lo”, comemorou o dirigente ao entregar o livro para o novo diretor-geral do IEL Nacional, Paulo Afonso Ferreira. O diretor defendeu o fortalecimento do IEL no Sistema S. “Vejo que temos uma oportunidade de ouro no Brasil”, disse Ferreira. 

Durante o encontro, os dirigentes aprofundaram discussões levando em conta as particularidades regionais do País. Para os núcleos das Regiões Norte e Nordeste, os Programas de Qualificação e Certificação de Fornecedores e Empresas (PQF e Procem) são um exemplo de inovação nas atividades das pequenas e médias empresas. Grandes companhias no Pará, como Alunorte, Albras e Alcoa, são parceiros do Procem. Já no Nordeste, o exemplo da Bahia foi destacado graças ao portal do PQF que tem permitido o cadastramento de fornecedores e agilizado o contrato com empresas de grande porte.

Entre as iniciativas do Centro-Oeste, o programa Desenvolvimento de Líderes, tocado pelo IEL de Goiás, foi apresentado pelo superintendente do núcleo, Paulo Galeno Paranhos, como um meio de aprendizado constante para executivos. Já no Sudeste, o destaque foi a ação do IEL do Rio de Janeiro que, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), desenvolveu o Portal Empresarial, uma ferramenta interativa que permite às empresas consultas e resoluções de problemas na Internet.

Outra iniciativa que mereceu destaque foi a do IEL Paraná que busca introduzir doutores e mestres na iniciativa privada. O superintendente Henrique Ricardo Santos contou que graças a uma parceria com a associação francesa Bernand Gregory, o núcleo regional tem um programa piloto para levar dez mestres e dez doutores à empresa Donaduzzi, de medicamentos. O trabalho inclui a sensibilização dos empresários para entenderem a importância de terem acadêmicos de alto gabarito nos seus quadros e também o treinamento destes profissionais para trabalharem na iniciativa privada.

 
 
 

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