IEL e Confea lançam livro sobre TV digital no Brasil - 10/12/2007
A história da TV digital no Brasil e o estado da arte de suas aplicações estão descritos no livro TV Digital Qualidade e Interatividade, que será lançado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), na quarta-feira, 12 de dezembro, na sede do Confea, em Brasília. Estarão presentes na cerimônia o superintendente do IEL, Carlos Cavalcante, o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, além de representantes de entidades regionais e nacionais de engenharia.
A publicação, coordenada pelo assessor especial da Casa Civil da Presidência da República, Jairo Klepacz, reúne textos de 13 especialistas com participação direta no processo de constituição da nova tecnologia no país. "A publicação tem como objetivo não perder a história da TV digital, tecnologia que vai mudar a indústria, a produção de conteúdos e o modelo de negócios no país", afirma Klepacz.
TECNOLOGIA NACIONAL - O presidente do Fórum do SBTVD-T, Roberto Dias Lima Franco, o secretário de Política e Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Augusto César Gadelha Vieira, e o assessor especial da Casa Civil da Presidência da República, André Barbosa Filho, apresentam um breve histórico do Sistema. Barbosa Filho lembra que o governo federal, em vez de aceitar um padrão totalmente desenvolvido no exterior, investiu R$ 60 milhões na mobilização de 22 consórcios formados por representantes de 106 universidades, institutos de pesquisas e empresas privadas.
Esses estudos - patrocinados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e coordenado pela Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia (CPqD) – resultaram na arquitetura de um sistema híbrido nipo-brasileiro, adequado às características da televisão brasileira: o ISDB–T (Integrated Services Digital Broadcasting – Terrestrial), baseado no padrão japonês, mas que integra tecnologias inéditas propostas por pesquisadores brasileiros, como o middleware Ginga, cujas aplicações são descritas em outro artigo assinado por Luiz Fernando Gomes Soares, do Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
O ISDB-T permite a transmissão do sinal digital também para terminais móveis, como celulares e aparelhos de TV em veículos, mesmo que em movimento. A utilização plena dessas possibilidades tecnológicas exigirá que a indústria brasileira reedite a mesma capacidade de investimentos em pesquisa, desenvolvimento de produtos e o mesmo espírito empreendedor que, ao longo dos últimos 50 anos, fizeram com que o Brasil vencesse o desafio de interiorizar os sinais de TV.
Carlos Alberto Fructuoso, diretor de marketing da Linear Equipamentos Eletrônicos – que há 30 anos fabrica transmissores - não tem dúvidas de que "as armas estão preparadas, as técnicas de luta estão devidamente estudadas e treinadas – tudo para a manutenção da atual liderança do mercado interno e ampliação da posição no mercado externo".
INVESTIMENTOS - A indústria brasileira também já domina a tecnologia de fabricação de receptores do sinal digital, conhecidos como set-top box. Pelo menos 11 empresas nacionais já têm projetos aprovados no edital de 2006 do programa de Subvenção Econômica da Finep, no valor de R$ 13,2 milhões. A expectativa é que a demanda por set-up box chegue a 60 milhões de unidades nos próximos cinco anos.
Mas é preciso acelerar investimentos em softwares para garantir a interatividade, portabilidade e conectividade. O presidente da Totvs, Laércio Cosentino, alerta em seu artigo para a necessidade de as empresas investirem no desenvolvimento de softwares para a interação do usuário com áudio, vídeo e dados.
Em um país onde 92% dos domicílios têm um aparelho de TV e quase 60% contam com telefones celulares, não é exagero afirmar que a digitalização do sinal de TV forjará novas formas de sociabilidade, de integração nacional e de inclusão social. "Um novo mundo se abre com as possibilidades interativas da TVD – Terrestre", escreveu a coordenadora da pesquisa da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal/Unesco) para a implantação do Observatório Latino-Americano de Indústrias de Conteúdo, Cosette Castro.
Uma dessas possibilidades é a do ensino a distância. Mas, Cosette Castro salienta que a TV digital cumprirá essa função se houver interfaces facilmente reconhecidas pelos sujeitos sociais, cursos de iniciação ao uso das tecnologias da informação e comunicação, e acesso à banda larga a preços compatíveis. |