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 Programa do IEL e SESI pretende fortalecer o bordado de Ibitinga - 14/06/2007

Brasília – A força econômica do município paulista de Ibitinga está no bordado. A cidade, de 54 mil habitantes, conta com 570 empresas do setor que geram cerca de 2,5 mil empregos diretos. Mas, há alguns anos, a cidade sofre com a desvalorização de sua principal atividade, que vem sendo substituída pela estamparia. “Ibitinga é a capital nacional do bordado, mas vem perdendo essa marca, essa identidade”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias e Comércio de Bordados (Sindicobi), Aquiles Sina.

De acordo com Sina, a desvalorização do bordado, aliada à baixa qualidade dos tecidos, faz com que o município perca seu principal diferencial competitivo. “Isso gera produtos de baixo valor agregado”, explica. “Precisamos resgatar o bordado e aliá-lo a identidade cultural da região.”

Com o intuito de reverter esse quadro, o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o Serviço Social da Indústria (SESI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) escolheram o arranjo produtivo local de bordados de Ibitinga como um dos pilotos do Programa Empreende Cultura. A iniciativa, implantada em arranjos produtivos de seis estados, tem o objetivo de gerar vantagens competitivas para produtos das regiões trabalhadas por meio da valorização de aspectos da cultura locais seja no design, na gestão das empresas ou no marketing. O projeto conta ainda com ações de Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva, coordenado pelo Ministério da Cultura.

DIAGNÓSTICO CULTURAL – Em Ibitinga, o programa tem parceria do Sindicobi, do Instituto de Pesquisas em Tecnologia da Informação (IPTI) e do Ponto de Cultura Tainá, de Campinas, a 300 quilômetros do município. Lá, foi desenvolvido recentemente um diagnóstico com 12 empresas do arranjo produtivo de bordados, além de um estudo sobre as manifestações populares e culturais da cidade. “Identificamos, por exemplo, que a igreja tem um papel decisivo nas manifestações culturais da cidade”, destaca o coordenador da Casa de Cultura Tainá, Antônio Carlos Santos Silva.

Silva ressalta ainda que foi detectado no diagnóstico que, da mesma forma que a cultura do bordado, várias manifestações artísticas da cidade estão se desvalorizando. “A catira e a congada, que já foram fortes, agora estão praticamente desaparecidas”, diz. “A cidade precisa resgatar esses valores para atrair turistas e consumidores para seus produtos. Além disso, precisam revitalizar o cinema, construir um museu e melhorar os serviços hoteleiros e de restaurantes”, destaca Silva.

De acordo com o analista de Projetos da FIESP Egídio Zardo, o grande problema é que a indústria da região tem copiado o que se produz no exterior e não se apropria da cultura local como diferencial competitivo. “Os empresários devem se apropriar da marca de capital do bordado pela qual ficaram conhecidos. Isso vai representar um ganho para a competitividade da indústria, cultura local e para a própria comunidade”, afirma Zardo.

Com o intuito de resgatar a cultura da região, a Casa de Cultura Tainá produziu um vídeo para distribuir a empresas e entidades voltadas para a o estímulo cultural do município. No documentário, há depoimentos de artistas e apresentação dos principais projetos e entidades culturais da cidade. Além do arranjo produtivo de bordado, em São Paulo, o Empreende Cultura é desenvolvido nos setores de madeira e móveis, no Acre; no de água mineral e madeira e móveis, no Rio Grande do Norte; de confecções e de transformação de plástico em brinquedos, na Bahia; de fogos de artifício, em Minas Gerais; e de malhas, no Paraná.

 
 
 

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