Empresa é lugar de aprendizado, diz jornalista - 15/08/2006
Salvador - Os estagiários ainda são vistos por muitas pessoas como mão-de-obra barata, porque os gestores não percebem a empresa como local de aprendizado. E isso prejudica o potencial da empresa de inovar e ter novos e bons profissionais. A afirmação foi feita pelo jornalista Gilberto Dimenstein, durante palestra sobre o tema A importância do estágio para o profissional do futuro, realizada no lançamento do Prêmio Nacional IEL de Melhores Práticas de Estágio, nesta segunda-feira, 14 de agosto, em Salvador.
De acordo com Dimenstein, para as empresas sobreviverem será cada vez maior a necessidade de gerar capital humano sofisticado. "Para lidar com essa alta dose de competição do mundo moderno, a empresa precisa ser um espaço de aprendizado e experimentação para invenção e adaptação de novas tecnologias", disse o jornalista. "As empresas têm pouca preocupação em integrar jovens no processo de conhecimento, o que os prejudica e também às próprias empresas, que poderiam formar profissionais talentosos para seu quadro." Dimenstein falou ainda sobre a importância de sensibilizar gestores para a realização de programas de estágio de qualidade. "É preciso mostrar às empresas o quão benéfico é a atração de jovens para seu quadro de colaboradores e de se ter internamente um sistema de ensino-aprendizado", declarou. Além de benefícios para as empresas, o estágio é positivo também para o aprendizado em sala de aula. De acordo com o jornalista, pesquisas apontam que o conhecimento posto em prática melhora o rendimento dos estudantes. "A informação só é gravada quando é posta em prática e quando o estudante vê a utilidade de determinado conhecimento em sua vida”, destacou Dimenstein.
Conforme o jornalista, a educação deve integrar a escola, a família e a comunidade. Para exemplificar, ele cita dados de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), realizada em vários países, e que comprova que o aprendizado das pessoas é composto de 20% de conhecimentos transmitidos pela escola e 80% pela convivência familiar e comunitária. "Pouco adianta uma ótima escola, se o jovem não tem boa estrutura familiar e convivência comunitária", afirmou. “O maior problema apontado por grandes empresas na seleção de profissionais é no que diz respeito a atitudes como falta de intuição e de espírito de grupo das pessoas. E isso não se aprende na escola."
Dimenstein defendeu ainda que a prática do que se aprende na escola deve se iniciar no ensino fundamental, por meio de trabalhos comunitários. "Pessoas que realizam esse tipo de trabalho mostram que não têm medo de desafio, de lidar com conflitos e de se relacionar com as mais diferentes pessoas."
O lançamento do Prêmio Nacional IEL de Melhores Práticas de Estágio foi transmitido por videoconferência para 22 estados. Mais de 300 pessoas estiveram presentes à cerimônia, realizada no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
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