Pesquisa do IEL goiano levanta resultados da redução da Selic - 15/09/2006
Goiânia – O Instituto Euvaldo Lodi de Goiás (IEL-GO) realizou uma pesquisa para sondar empresários sobre a redução da taxa de juros Selic e seus efeitos para a atividade industrial e conhecer a taxa ideal para a tomada de empréstimos. O levantamento foi feito em 142 indústrias de 11 segmentos: 30 microempresas, 68 indústrias de pequeno porte, 29 de médio porte e 15 grandes. Desse universo, 78% captam empréstimos. Dentro desse percentual 47% são de pequeno porte e 23% de médio porte.
Quando perguntados sobre a redução da taxa Selic e a correspondente queda dos juros em empréstimos contratados pela empresa, 49% dos participantes informaram que as taxas cobradas continuam as mesmas do início do ano. Somente 5% dos sondados disseram que houve significativas reduções no ano, enquanto 38% dos empresários afirmaram ter havido quedas pouco expressivas.
Segundo a maioria dos empresários sondados, 68%, a redução da taxa Selic não chegou aos consumidores finais por razões estratégicas dos próprios bancos, que procuram aumentar seus lucros em detrimento do crescimento econômico do país. Para 16% dos pesquisados a inadimplência é a razão para a não redução dos juros na ponta e 15% dos entrevistados apontaram a escassez de dinheiro no mercado para justificar a pequena redução dos juros.
O capital de giro, uma das linhas de crédito mais utilizadas pelo setor industrial, vem sendo operado a uma taxa média acima de 2% até 3%, para 39% dos participantes. Vinte e seis por cento dos entrevistados afirmaram que vêm tomando empréstimos para capital de giro a uma taxa média acima de 3% a 5%. Poucas foram as grandes empresas que trabalham com tal taxa.
Para acentuar as diferenças entre as pequenas e médias empresas e as grandes, a informação referente à contratação de empréstimos com taxas de juros acima de 5% foi dada por micro e pequenas empresas. As grandes empresas, 10% das que participaram da pesquisa, predominaram entre as que tomaram empréstimos com taxas inferiores a 1% ao mês.
Para entender melhor o faturamento de empresas pesquisadas em decorrência das taxas de juros praticadas atualmente pelo mercado financeiro, a pesquisa procurou saber se uma queda expressiva nas taxas de juros poderia aumentar o faturamento. A maioria afirmou que poderia haver um crescimento de 3% a 10% e 16% consideraram que poderia haver um aumento acima de 15%, opinião partilhada por pequenas, médias e grandes empresas.
Convém destacar que 87% das empresas informaram que haveria aumento no faturamento se houvesse uma redução expressiva nas taxas de juros. Apenas 13% não acreditam que o faturamento cresceria se houvesse redução significativa dos juros.
Para identificar as taxas ideais para os empresários goianos, questionou-se sobre os níveis de juros suportáveis para investimentos de longo prazo e capital de giro. A tendência registrada apontou para uma taxa mais elevada para capital de giro - 55% dos participantes desejam uma taxa de juros de até 1% ao mês. Para os investimentos de longo prazo a taxa desejada por 88% dos sondados foi abaixo de 10% ao ano. |