Brasil investe pouco em inovação, mostra estudo da Anpei - 25/10/2006
AO baixo índice de inovação no Brasil é uma questão de ordem cultural. Essa é a avaliação do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. "É importante que as universidades formem estudantes com a visão de que a pesquisa pode e deve ser feita nas empresas. As empresas devem ter a percepção de que é preciso investir em inovação", disse Rezende, que participou nesta quarta-feira, 25 de outubro, do lançamento do livro Inovação Tecnológica no Brasil, a Indústria em busca da Competitividade Global.
O livro, organizado pela Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), reúne informações sobre a inovação tecnológica na indústria. A publicação mostra que as empresas que investem em desenvolvimento tecnológico se mantêm em posição de destaque diante das demais. O estudo revela ainda que os países que mais investiram em pesquisa e desenvolvimento (P&D) foram Suécia, com 4% do Produto Interno Bruto (PIB), Finlândia (3,5%) e Japão (3,2%).
De acordo com o livro, os maiores investimentos em P&D são concentrados em poucos setores. Em 2003 os 700 maiores projetos da área em todo mundo foram realizados nas áreas de telecomunicações, teconologia da informação, hardware e software, serviços de computadores, automobilística e farmacêutica.
Segundo dados do Ministério de Ciência e Tecnologia, o o governo brasileiro investiu, em 2006, R$ 15 bilhões em P&D e inovação. Para o diretor-superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Carlos Cavalcante, que também participou da cerimônia de lançamento do livro, o baixo número de graduados em engenharia e outras áreas da ciência é um dos obstáculos à inovação no Brasil. "Entre os graduados brasileiros, apenas 11% são engenheiros. Esse número certamente trará gargalos na área de inovação", disse ele.
Segundo o estudo da Anpei, em 2003, considerando todas as atividades industriais, a taxa de inovação brasileira foi de 33,3%. Embora o número de empresas inovadoras tenha passado de 22.698, em 2000, para 28.036 em 2003, esse aumento não se refletiu na criação de novos produtos ou processos tecnológicos, o que expõe a vulnerabilidade da indústria nacional para competir no mercado mundial a médio e longo prazo.
"O Brasil ainda está despertando para a questão da inovação. Ela está mais na retórica do que efetivamente na prática", avaliou Cavalcante. Ele explicou que as empresas têm investido cada vez mais em tecnologia, mas as barreiras tributárias, trabalhistas, ou até mesmo a falta de conhecimento, impedem o desenvolvimento dos projetos. "Recentemente tivemos a publicação da Lei de Inovação que, de certa forma, desburocratiza e facilita a elaboração de projetos em conjunto com diversos setores, mas ainda assim os recursos disponíveis são pequenos", ressaltou Cavalcante.
O estudo divulgado hoje pela Anpei é de autoria de Mauro Arruda, Roberto Vermulm e Sandra Holanda, e reúne informações sobre 84.262 empresas, distribuídas em 91 atividades industriais. |