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 Novo diretor do IEL fala sobre projetos para seu mandato - 26/02/2008

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e diretor-secretário da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Afonso Ferreira, assumiu, no começo deste ano, a diretoria do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). Para ele, a entidade é estratégica e prepara empresas para enfrentar o mercado internacional. “O IEL vai crescer muito dentro do Sistema Indústria pela própria necessidade que as empresas têm pelo aperfeiçoamento da gestão”, destacou.

Em entrevista, Ferreira fala sobre os projetos para seu mandato, que vai até 2010, e destaca programas para consolidação do Sistema IEL no País, como o de Estágio. Segundo Ferreira, ele é “filho do Estágio”. Ele conta que o estágio propiciou seu amadurecimento profissional e coragem para assumir responsabilidades. “Para se ter uma idéia, formei em dezembro de 1974 e, em maio de 1975, estava com minha empresa registrada. A coragem para abrir meu próprio negócio se deve, em boa parte, a experiência no estágio”, contou.

Ferreira colhe até hoje os frutos dessa experiência. A empresa que abriu em 1975, a Sobrado Construção, completa 33 anos sob sua direção. O segredo do sucesso de Ferreira deve estar justamente no seu jeito simples e objetivo de dirigir. “Não gosto de reinventar a roda. Gosto de aproveitar as boas experiências e replicá-la. É desse jeito que devo dirigir o IEL”, afirmou. Confira a entrevista.

O que significa para o senhor assumir a direção do IEL?
O IEL é uma paixão pessoal. A entidade tem um campo de trabalho tão vasto, como a qualificação do empresário e estímulo ao empreendedorismo, integrados a escolas e universidades. Isso é fundamental para o Brasil para que nossas empresas sejam mais competitivas. Empresas internacionais estão se instalando no País extremamente preparadas e ocupando nosso mercado com muita agressividade. Precisamos reagir do lado de cá e o IEL é o grande instrumento que temos dentro do Sistema Indústria, capaz de nos preparar para enfrentar essa competição internacional. A entidade vai crescer muito pela própria necessidade que as empresas têm pelo aperfeiçoamento da gestão.

Quais as prioridades do seu mandato?
Pretendo dar seqüência ao que vem sendo feito. Temos que valorizar tudo aquilo que foi feito até hoje, e que nos trouxe até aqui, para que possamos ter a base para alavancar ações maiores daqui para frente. Não podemos chegar com um projeto de cima para baixo e impô-lo a nossos núcleos regionais. Uma questão muito importante é que o IEL está monitorando projetos que estão dando certo nos vários Estados com o objetivo de ampliá-los e aperfeiçoá-los. Um exemplo disso, é o Programa de Qualificação de Fornecedores (PQF), que teve entre os estados pioneiros Goiás. Outros estados, como a Bahia, pegaram nosso programa, ampliaram e melhoraram, inclusive, receberam o Prêmio de Melhores Práticas da CNI.

Como surgiu o PQF em Goiás?
As grandes empresas multinacionais vinham para Goiás trazendo seus fornecedores e seus principais profissionais do exterior. Os empresários goianos, donos de pequenas e médias indústrias do Estado, que tinham possibilidade de fornecer peças e equipamentos para essas empresas, ficaram indignados e começaram a fazer pressão política. Sabemos que empresa nenhuma vai comprar da outra por questões políticas. Acabamos percebendo que as empresas pequenas não estavam preparadas tecnicamente para fornecer de acordo com as necessidades das grandes indústrias. Mas as grandes indústrias precisaram falar quais eram suas demandas. Foi um programa que, no começo foi um pouco difícil, mas avançou muito positivamente porque as grandes indústrias entenderam que, ao se instalarem em qualquer local, precisam interagir com as comunidades e com o setor produtivo local. Caso contrário, passa a ter uma rejeição da localidade.

O IEL está implementando a gestão de projetos. É possível que a estruturação desse tipo de trabalho se torne um serviço para empresas?
A gestão de projetos deve ser trabalhada junto a empresas, até porque há alguns anos desenvolvíamos produtos e serviços em um ambiente que não havia tanta competitividade e conseguíamos sobreviver. Hoje as empresas não conseguem sobreviver se não forem competitivas. Só que uma pequena e média empresa não vai conseguir trazer uma consultoria renomada, muito cara. Esse apoio deve ser dado por instituições como o IEL, que podem auxiliar empresas a fazer uma boa gestão de projetos de forma mais efetiva.

O senhor falou que há projetos desenvolvidos nos estados que merecem ser replicados. Além do PQF, há alguma outra contribuição do IEL Goiás?
Há o Instituto de Certificação Qualidade Brasil (ICQ Brasil), que certifica empresas para o sistema ISO. Certificamos produtos e temos uma preparação para a certificação. Essa é uma grande oportunidade que o IEL tem de estimular empresas a evoluírem, pois se elas não buscarem melhorar, empresas mais evoluídas vão chegar no País e ocupar nosso espaço. Mesmo no setor de construção civil, que é um pouco específico, vemos em Goiás grandes grupos nacionais e recursos internacionais se instalando aqui com tecnologias muito avançadas. Temos que reforçar essa busca por aprimoramento de nossas empresas. Quando propus fazermos ISO 9000 em algumas empresas do Estado, falavam que estava inventando moda. Hoje, o ISO é só a primeira parte. Já estamos avançando para programas de certificação melhores, mais complexos e bem superiores... O IEL precisa estimular a certificação das empresas.

O Sistema Indústria e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estudam uma parceria para o desenvolvimento de setores industriais de cinco estados, entre os quais está o setor automotivo de Goiás. Qual o papel do IEL e a importância dessa iniciativa?
O programa em parceria com o BID é muito importante. Temos problemas com a questão da guerra fiscal e não temos política de desenvolvimento regional. Então, vêm as montadoras automobilísticas que se instalam na região em função, principalmente, dos incentivos fiscais. Em Goiás, estamos com duas grandes montadoras com plantas instaladas e em produção e outra que está vindo para cá. Nós queremos ir além de ter montadoras instaladas no Estado. Queremos estimular pequenas e médias empresas a produzir os componentes necessários com a qualidade que essas montadoras exigem. E é nessa qualificação de fornecedores que o IEL atuará. E nesse processo há uma oportunidade enorme, pois, se prepararmos a pequena para atender uma multinacional, ela fica preparada para atender o mercado como um todo. Isso é vital.

 
 
 

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