Gestores do IEL participam de palestra com especialistas da Universidade da Califórnia - 26/06/2008
A inovação deve produzir valor, impacto e solução. A afirmação é do professor John Danner, da Universidade da Califórnia Berkeley, nos Estados Unidos (EUA). Ele e o professor David Charron, da mesma universidade, ministraram ontem palestra sobre gestão da inovação a gestores do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), na sede da instituição, em Brasília. Os palestrantes apresentaram idéias, conceitos e práticas relacionadas ao tema, que também foram abordados em capacitações ministradas para gestores do Sistema Indústria pela Wharton School, nos Estados Unidos, e Insead, na França.
De acordo com Danner, as pessoas geralmente buscam a inovação no passado, em cases de sucesso e em mudanças realizadas há anos. Não focam no que é novo, na possibilidade de executar aquilo que nunca foi feito e buscar os elementos que tornariam essas mudanças possíveis. “A maior parte das organizações resiste à inovação e deixa as boas idéias para depois, em vez de acreditar, por exemplo, que no Brasil ninguém nunca fez isso”, destacou.
Danner disse que o pensamento inovador ocorre num cenário em que cinco fatores são estruturantes: tempo, espaço, cultura, mercado e o conhecimento. Ele reconheceu a rede dos Observatórios da Indústria, integrante do projeto Rede de Competências do IEL, como um exemplo de inovação. “Soube que nesses centros acontece o mapeamento de mercados e atores potenciais para o desenvolvimento das indústrias locais. Isso é inovação."
Segundo o especialista, só é possível falar em inovação nas organizações se essa palavra for entendida como algo concreto e simples. “As pessoas devem interagir com o termo no seu cotidiano, reconhecendo o potencial da mudança em situações corriqueiras”, afirmou. “Também é essencial que não haja uma distinção entre quem promove ou não a inovação. Todos devem se sentir aptos a pensar e realizar ações desse caráter."
Charron abordou a aplicação do empreendedorismo na prática da inovação. “O empreendedorismo surge quando ocorre uma confluência entre uma oportunidade e um ator que dá prosseguimento a ela”, destacou. “Para preparar um cenário propício ao empreendedorismo, é importante fazer um mapeamento estratégico das relações que ocorrem entre companhias e pessoal envolvido no campo de atuação de uma empresa."
De acordo com Charron, tanto empresas pequenas quanto as transnacionais podem desperdiçar conteúdos estratégicos e perder tempo e dinheiro com o falso positivo, que é a oportunidade que, num primeiro momento, se mostra atrativa, mas depois se revela um problema. “Nas organizações menores, essa falácia pode ser diagnosticada e mudada mais rapidamente, porque elas são mais sensíveis às dinâmicas do mercado e da sua própria cultura”, destacou.
O especialista disse que, para inovar, as companhias precisam estar atentas àquilo que compreende a esfera de atuação do negócio: posicionamento no mercado, clientes e fornecedores, funcionamento interno da organização, modelo de negócio, valores e sustentabilidade, entre outros.
Tanto Charron quanto Danner disseram que a inovação padece de cinco Cs: criatividade, cultura, cliente, comercialização e competência. A interação positiva dessas cinco dimensões culmina na adoção de um novo perfil empresarial, que entende o erro como um componente do acerto e não se prende ao passado para prospectar o futuro e se preparar para ele. Prefere o pensamento caótico à calmaria na busca dos melhores resultados e entende que nada é definitivo.
Na avaliação do superintendente do IEL, Carlos Cavalcante, as palestras foram positivas porque mostraram o processo de inovação, não só como necessidade, mas como oportunidade de crescimento e de reposicionamento de toda empresa e instituição. “Estudamos as melhores práticas que existem no mundo com relação à inovação”, contou.
Cavalcante elogiou a educação executiva oferecida pela Universidade da Califórnia Berkeley que, segundo ele, é um celeiro que permitiu a criação do Vale do Silício. “Esses especialistas têm muito a nos ensinar com relação a ferramentas, conteúdos e práticas para que consigamos trilhar o caminho da inovação de forma a gerar os melhores resultados para nossos clientes e parceiros”, concluiu. |