Educação continuada á fundamental para executivos, afirma o superintendente do Hospital Albert Einstein - 26/09/2007
Pesquisa do Datafolha, realizada de 10 de maio a 20 de julho e divulgada em agosto, revelou que 43% de mil médicos elegeram o Hospital Albert Einstein como o melhor da cidade de São Paulo. O superintendente do hospital, José Henrique Germann, recebeu a notícia em Fontaneablau, na França, durante o curso do Insead, uma das mais reconhecidas escolas de negócios do mundo, organizado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL).
Mesmo com muitos prêmios na área hospitalar, o gestor não se acomoda. Para ele, investir em cursos é fundamental. “Sou muito ligado à área acadêmica”, diz Germann, que desde 2004 ministra aulas de Gestão Hospitalar no MBA em Saúde do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).
Há dez anos à frente do Albert Einstein, Germann é formado em Medicina e Administração Hospitalar por meio de um convênio entre o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e a Fundação Getúlio Vargas. Estão sob sua responsabilidade 3,6 mil funcionários que recebem, em média, 11 mil pacientes por dia. Nos pronto-socorros, considerados pela pesquisa do Datafolha como os melhores da cidade, são atendidas em média dez mil pessoas por mês. Na entrevista à Agência CNI, ele fala sobre os desafios profissionais, a importância de participar de cursos de Educação Executiva e avalia o curso do Insead.
Qual a importância de se participar de cursos de Educação Executiva?
Sou muito ligado à área acadêmica, por isso acho fundamental a educação continuada para executivos. Dou aula há muitos anos e, ao mesmo tempo, sou aluno.
Como avalia sua primeira participação em um curso do Insead?
O curso foi muito bom por ser feito para gestores experientes. Isso é importante para se sair com uma visão mais avançada e não básica a respeito de conceitos de gestão.
O que chamou sua atenção no curso?
Há um conjunto de fatores que fazem do curso interessante e bem sucedido. O primeiro é o próprio grau de conhecimento da escola, que tem um grande capital intelectual. São professores de várias nacionalidades com profunda expertise em suas especialidades. Outro ponto importante é o fato de estarmos confinados. A imersão que faz com que não nos dispersemos. Estamos sempre envolvidos com alguma coisa relacionada ao aprendizado. Até no lazer acabamos conversando sobre nossas experiências e dificuldades. A organização, feita pelo IEL, foi muito boa. A instituição tem profissionais pró-ativos que estiveram o tempo todo com os executivos, em um acompanhamento que fez a diferença.
Há algum conceito aprendido que está sendo aplicado na empresa?
Negociação estratégica e a própria concepção de prestação de serviço versus produto. Esses conceitos foram muito importantes, embora a questão da internacionalização seja um pouco distante para mim. Temos grande barreira estatutária na área médica no que diz respeito à questão da internacionalização.
Quais são os grandes desafios profissionais que você enfrenta ou já enfrentou?
Temos desafios todos os dias. Um deles está relacionado ao financiamento da saúde, principalmente, em relação aos sistemas suplementares. Não trabalhamos com o Sistema Único de Saúde e sim com o sistema suplementar, onde estão inseridos 40 milhões de habitantes. Os planos de saúde são os operadores desse sistema. Somos prestadores de serviços. Existe um grande desafio que é dar ao paciente o que ele precisa, o que o plano pode oferecer e negociar com o hospital. Trata-se de um sistema complexo que diariamente enfrenta novos desafios. Também existe a questão da qualidade, que também gera desafios freqüentes.
Que desafios são esses?
Para figurar numa pesquisa como o melhor hospital, são necessárias conquistas gradativas. Do ponto de vista estrutural, temos que tecnicamente ser muito atuantes e atualizados. Isso se mede por meio de sistemas de certificação e acreditação. Também existe a questão da aproximação e entendimento ao paciente, nosso cliente. Aplicamos pesquisas para avaliar se estamos atendendo bem suas expectativas. |